Por Francisco Gremaud, economista, graduando em História pela FFLCH USP e militante do Coletivo Graúna.

As Paralimpíadas são um dos maiores exemplos de superação, resiliência e talento, demonstrando ao mundo que a capacidade humana vai muito além das limitações físicas. Para os atletas com deficiência (PCDs), esse evento é não apenas uma oportunidade de competir e se destacar, mas também um reflexo da luta contínua por inclusão e reconhecimento. No Brasil, o desempenho nas Paralimpíadas tem sido motivo de orgulho nacional, mas esse sucesso não seria possível sem a atuação de políticas públicas voltadas ao esporte adaptado e à inclusão social.
O Brasil tem uma história marcante nas Paralimpíadas, com performances extraordinárias ao longo dos anos. Desde a estreia nos Jogos Paralímpicos de 1972, a delegação brasileira vem crescendo tanto em número de atletas quanto em conquistas. Um dos momentos de maior destaque foi nos Jogos Paralímpicos de 2016, realizados no Rio de Janeiro, onde o Brasil conquistou a impressionante marca de 72 medalhas, garantindo o 8º lugar no quadro geral de medalhas. Em 2021, nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, o Brasil voltou a mostrar sua força, alcançando 22 medalhas de ouro, 20 de prata e 30 de bronze, somando um total de 72 medalhas, igualando o recorde anterior. Nas Olimpíadas de Paris, até a data de hoje, 6/9/2024, já são 17 medalhas de ouro, 20 de prata e 31 de ouro, totalizando 68 medalhas.
Além dos resultados no pódio, esses jogos também trouxeram uma visibilidade inédita para o esporte paralímpico no país, o que ajudou a aumentar o interesse e o apoio da sociedade e dos governos para com a causa das pessoas com deficiência. Esse sucesso reflete não apenas a dedicação dos atletas, mas também o resultado de um trabalho contínuo de políticas públicas que apoiam o esporte paralímpico. Para que atletas paralímpicos possam se desenvolver e alcançar o mais alto nível competitivo, é fundamental que o Estado ofereça apoio e incentivo.
No Brasil, algumas políticas e iniciativas têm sido essenciais para o crescimento do esporte adaptado. Primeiramente, o programa Bolsa Atleta, criado em 2005, oferece apoio financeiro a esportistas de alto rendimento, incluindo aqueles com deficiência. Esse auxílio é crucial para que os atletas possam se dedicar ao treinamento, competições e aprimoramento técnico sem a preocupação imediata com recursos financeiros. Já Lei Brasileira de Inclusão, aprovada em 2015, trouxe avanços significativos para os direitos das pessoas com deficiência, garantindo acesso à educação, ao trabalho e, também, ao esporte. A LBI reforça a necessidade de adaptações e acessibilidade em todas as esferas da sociedade, incluindo as instalações esportivas.
Igualmente importante tem sido o desenvolvimento de centros de treinamento especializados, como o Centro Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, e parcerias com entidades internacionais, que têm possibilitado a oferta de estrutura de ponta para os atletas. Esses centros oferecem tecnologia, acessibilidade e recursos técnicos essenciais para a formação de novos talentos e o aprimoramento dos atletas de elite. Por fim, outro pilar fundamental das políticas públicas é a inserção do esporte adaptado nas escolas. Programas que incentivam a prática esportiva entre crianças e jovens PCDs são fundamentais para que o Brasil continue revelando talentos. Além disso, o esporte na educação contribui para a inclusão social e o desenvolvimento motor e cognitivo dos alunos com deficiência.
Contudo, apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito. É necessário garantir que as políticas públicas sejam amplamente divulgadas e que cheguem a todas as regiões do país, especialmente às mais vulneráveis. A desigualdade de acesso ao esporte ainda é uma realidade no Brasil, e muitos atletas enfrentam dificuldades financeiras e logísticas para seguir na carreira. Outro desafio é a constante necessidade de adaptação das estruturas e programas para atender a diferentes tipos de deficiência. Políticas de incentivo à formação de profissionais capacitados e ao desenvolvimento de novas tecnologias esportivas são fundamentais para que o Brasil continue sendo uma potência no cenário paralímpico.
Isso posto, as Paralimpíadas mostram que o esporte é uma ferramenta poderosa de inclusão social e empoderamento. A atuação de políticas públicas é essencial para garantir que mais pessoas com deficiência tenham acesso a oportunidades esportivas e possam desenvolver seus talentos. O Brasil, com suas conquistas paralímpicas, é prova de que o investimento correto gera resultados extraordinários. É fundamental que a sociedade e os governantes continuem a apoiar e expandir essas iniciativas, garantindo que o esporte seja cada vez mais acessível e inclusivo.
Comments